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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

WATCHMAN NEE


De acordo com J.A. Lee, um especialista na estrutura teológico de Watchman Nee, a teologia de Nee é sistemática, em todos os aspectos, mesmo sua eclesiologia única, centralizando em sua antropologia. Se aceitarmos isso, então entender a sua visão do homem é crucial para o entendimento de seus principais erros sistemáticos.
Nee é um tricotomista. Por todos os seus escritos, ele categorizou o homem em três partes: corpo, alma e espírito. No entendimento de Nee, o espírito tem o valor maior, o corpo físico o menor, e a alma o intermediário.
A partir do aspecto da redenção, Nee explica que essas três partes (corpo, alma e espírito) têm “relacionamentos funcionais”. A saber, o espírito controla a alma e o alma controla o corpo. Não somente há um relacionamento funcional entre os três, mas há também um relacionamento hierárquico. O espírito é superior à alma, e a alma é superior ao corpo. A partir desses relacionamentos, Nee determina suas doutrinas da Queda, regeneração e santificação.
De acordo com Nee, a intenção original de Deus é que o espírito controle o corpo, através da alma. Contudo, após a queda de Adão e Eva, essa ordem foi revertida. A Queda resultou no corpo controlando a alma do homem, a qual, conseqüentemente, controla o espírito. A regeneração para Nee envolve somente o espírito, não a alma ou o corpo, pois “o que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito” (João 3:6). A regeneração é, dessa forma, não a realização da salvação, mas o princípio. 

Nee também desenvolveu uma teologia da “redenção da alma”, de acordo com o Dispensacionalismo. A redenção da alma ocorre quando as pessoas “perdem sua alma” tomando a cruz e sofrendo por causa do Senhor. Esses cristãos serão capazes de reinar com Cristo no Milênio. Nee via que há uma diferença entre “céu” e o “reino”. A redenção do espírito nos garante uma posição na vida eterno no céu, e a redenção da alma, “perdendo-se a alma”, nos garante uma posição no reino futuro. A primeira depende da fé e a última depende das nossas boas obras. [15]

Cosmologia
Segundo Lee, Nee sustentava um dualismo ético-religioso. [16] Nee polarizou o reino de Deus e o mundo (cosmos). O mundo e Deus estão em oposição, com o mundo controlado por Satanás. Satanás usa todas as atividades, isto é, cultura, comércio e economia para seduzir os cristãos para o seu sistema mundial e serem os seus escravos. Todavia, porque o mundo já está condenado, os cristãos devem ser salvos do mundo. Assim, nos ensinos de Nee, os cristãos devem se separar do mundo, cortar suas relações com o mundo, Embora os cristãos sejam a luz do mundo, isso diz respeito somente a compartilhar o Evangelho e Cristo ao mundo.
Deixe-me apontar também que Nee usa um método exegético alegórico, que é não-histórico. Devido ao método exegético de Nee e sua posição escatológica pré-milenista, sua teologia para com o mundo e a cultura era passiva, especialmente durante os tempos turbulentos dos anos 20 na China. Nee não era ativo em suas preocupações com a situação política e social naquele período.
Em sua crítica à cosmologia de Nee, Lee assevera que a posição de Lee carece da consciência do mandato cultural do cristão para este mundo. Todos os cristãos devem cantar, pelo menos em espírito: “Este é o mundo do meu Pai”. Nós temos a Grande Comissão bem como o mandato cultural para estarmos ativamente envolvidos no mundo como sal e luz da terra, protegendo e amando o mundo. Precisamos permanecer em contato com nossa cultura e ao mesmo tempo usar a verdade da Bíblia para iluminar, desafiar e transcender nossa cultura.
Lee aponta que o “homem espiritual” de Nee não é alguém que está apenas preocupado com o crescimento do seu espírito, mas com o do seu corpo também; a preocupação com a pessoa toda. Quer alguém divida o homem numa tricotomia ou dicotomia, um homem não está completo se lhe falta qualquer parte de sua mente, emoções e pensamentos. Deus não salva apenas o espírito de alguém, mas Ele salva a pessoa toda, incluindo todos os aspectos de uma pessoa.

Eclesiologia
Seu ensino sobre a igreja é muito exclusivo. Chan, sobrinho de Nee, apontou três principais áreas:
Ele considerava as denominações como organizações pecaminosas e caídas. Nee usava Gálatas 5:19-20, onde Paulo menciona os atos da natureza pecaminosa. Ele cria que “facções” eram as denominações. Se denominações eram organizações pecaminosas, os cristãos deveriam sair dessas organizações imundas e conduzir outros crentes a saírem. [17]

Nee cria que a igreja deve ser estabelecida de acordo com sua localidade. Toda epístola na Bíblia foi endereçada à igreja de acordo com sua localização. O apóstolo estabeleceu presbíteros em cada localidade. Especialmente em Apocalipse, as sete igreja mencionadas tinham cada uma delas seu próprio candeeiro; cada igreja é autônoma e financeiramente independente uma da outra.
Nee ensinava que as igrejas em nossa era tinham esquecido os princípios bíblicos. Portanto, devemos voltar à Bíblia e servir a Deus de acordo com os princípios lançados pelos apóstolos. Devemos servir a Deus “no nome do Senhor”, sem igrejas denominacionais.
No esforço de Nee para encontrar o único padrão bíblico possível para estabelecer a igreja, o “Pequeno Rebanho” foi encontrado. Contudo, a busca sincera de Nee pelo modo ideal de estabelecimento de igrejas não foi somente divisiva, ele, conscientemente ou não, criou outra denominação, mais restritiva do que a maioria.

CONCLUSÃO
A influência de Nee sobre as igrejas chinesas não está limitada à Ásia. Suas influências teológicas são vidas e bem até hoje. Sem dúvida Nee foi verdadeiramente um líder cristão dedicado que “não queria nada para si mesmo e tudo para o seu Senhor, que buscou durante toda a sua vida ser um homem espiritual até a morte”. Todavia, assim como qualquer outro líder cristão, ele não era perfeito. Devemos ser profundamente inspirados por seu amor e devoção a Cristo, e ao mesmo tempo sermos plenamente cientes dos aspectos dos seus ensinos que são extremos ao ponto de serem errôneos.
Como o sobrinho de Nee escreveu: Muitos líderes espirituais têm falhado e são fracos. Contudo, a Bíblia sempre foi verdadeira, nunca cobrindo as falhas dessas pessoas a quem Deus usou. As falhas de Abraão, Moisés e Gideão estão registradas na Bíblia. Deus não colocou esses eventos para nós vermos quão grandes, bem-sucedidos e dignos de nossa adoração essas pessoas eram, mas para permitir que vejamos que Suas obras maravilhosas manifestadas através de um punhado de vasos inúteis cumprindo Sua boa vontade. Da mesma forma, meu tio teve falhas. Todavia, essas coisas não negam a verdade de como Deus o usou poderosamente. Ele está entre os humildes, os defeituosos, todavia, ele foi verdadeiramente usado por Deus de uma maneira poderosa e foi um vaso cheio do precioso tesouro. [18]

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